6# GERAL 4.6.14

     6#1 GENTE
     6#2 COPA  TESTADOS E REPROVADOS
     6#3 RODRIGO CONSTANTINO  TSUNAMI DA VIOLNCIA
     6#4 VIDA DIGITAL  BALES COM WI-FI
     6#5 VIDA DIGITAL  A CARTA, POR FAVOR?
     6#6 PERFIL  A MESMA F E O MESMO ESTILO

6#1 GENTE
JULIANA LINHARES. Com Marlia Leoni e Tasa Szabatura

O CASO DAS CRUZES GMEAS
Trago seu amor de volta em trs dias. BRUNA MARQUEZINE com certeza no precisou de enganaes como essa para ter Neymar amarradinho de novo em seu balaio, numa reconciliao incrivelmente sincronizada com a tenso nacional pr-Copa, em mais de um sentido. Foi um retorno cravado na carne: Neymar tatuou na mo uma cruz gmea da que a atriz tem no corpo. A tatuagem original foi feita na primeira etapa do namoro. "Fui  casa dele, em Santos, para tatuar a Bruna. Ela tem um corao, uma ncora e essa cruz, que mostra sua f", conta Ado Rosa. Mais esculpida ainda  com 3 quilos perdidos graas  dieta mantida com marmitas planejadas por uma nutricionista , a Luiza de Em Famlia e Neymar comemoraram a volta em duas boates, antes que ele se recolhesse  Granja Comary. Na NOVA, ela mostra o poder do esquema ttico.

POPA AO VENTO
Na primeira vez, foi uma coisa que pode acontecer com qualquer uma. Na segunda, outra brisa traioeira. Na terceira, na quarta, na quinta... Bem, o jornal alemo Bild mostrou at quase o limite mximo o que um vento de popa pode fazer com a imagem de KATE, a duquesa de Cambridge e futura rainha consorte. Em termos estticos, a foto tirada durante uma viagem  Austrlia soprou a favor. Mas, j que ela assumiu o papel que exercer at o fim da vida, numa rotina que inclui subir e descer eternamente de helicpteros e avies, a pacincia dos sditos diminuiu e choveram reclamaes por sua falta de compostura. Sem nenhum acaso, Kate apareceu em visita na Esccia com um casaco mais comprido e praticamente engessado. Tem de escolher: ou duquesa ou funkeira. 

O QUE ELA SERIA HOJE? QUEBRA-CASINHA?
Dada a fantstica transformao, talvez seja preciso avisar: nesta foto est a funkeira TATI QUEBRA-BARRACO. A explicao: "Fiz 26 cirurgias plsticas. Cinco nos seios, seis no rosto e quinze lipoesculturas e lipoaspiraes na barriga, nas coxas, nos braos e no bumbum", enumera a enxugadssima Tati. A mdica que operou a cantora, Ana Patrus, relativiza: ''Foram apenas quatro cirurgias, com diversos procedimentos em cada uma''. Atualmente um tantinho ofuscada pela ascenso de Anitta e Valesca Popozuda, Tati, que tem 34 anos e j  av de um netinho de 5, contabiliza: "Fao dez shows por ms e moro numa casa em Jacarepagu de trs andares. Elas fazem sucesso agora; mas eu fao desde 2004". Na poca, ela estourou com o hit Sou Feia, Mas T na Moda. Sua nova msica chama-se Voc Quer Ser Eu. Segura, Anitta.

ALM DE CASAR, TEM DE CAUSAR
Guardadas as propores, as semelhanas de gostos, gastos e gestos pareciam combinadas. VAL MARCHIORI, socialite paulista, uniu-se ao empresrio EVALDO ULINSKI, pai de seus gmeos, ao som de Ave Maria, cantada por Agnaldo Rayol. A miditica americana KIM KARDASHIAN casou-se com o cantor KANYE WEST, pai da pequena North, e usou a mesma msica, cantada por Andrea Bocelli. O vestido de Kim, feito pela Givenchy, vale 1 milho de reais. O de Val, por Lucas Anderi, libans radicado em So Paulo, perto dos 25.000. "Tive quatro dias para faz-lo e s o entreguei uma hora antes da festa. E no  que parecia o de Kim?!", diz Anderi. Kim se casou num forte em Florena. Um dia antes, os convidados deslumbraram-se numa recepo no Palcio de Versalhes e viajaram de jatinho para a Itlia. Tudo bancado por patrocinadores. "J eu, briguei por cada preo", diz Val. "Mas o casamento dela, como o meu, foi um luxo.


6#2 COPA  TESTADOS E REPROVADOS
Relatrios reservados da Polcia Federal informam que na maior parte dos aeroportos brasileiros a segurana nos guichs de imigrao e em reas restritas est abaixo da crtica.
LESLIE LEITO

     A poucos dias do incio da Copa do Mundo, os aeroportos brasileiros j comeam a maltratar os turistas que vm ver os jogos. Mesmo remendados para se adequarem s exigncias da Fifa, o que se prev so filas e a desinformao de sempre  tudo potencializado pela exploso da demanda. Estima-se que 600.000 turistas estrangeiros circulem por esses locais durante o Mundial. Mas, alm dos gargalos mais conhecidos por quem costuma percorrer os tortuosos caminhos dos aeroportos brasileiros, h outro, menos visvel, que vem afligindo autoridades em Braslia: a falta de segurana nas portas de entrada do pas. 
     Oficialmente, a Polcia Federal garante que est tudo sob controle. Dois relatrios reservados da prpria PF, porm, mostram a distncia entre a realidade e a verso oficial. Um dos documentos descreve os resultados dos testes de segurana realizados em dezesseis aeroportos. Catorze foram reprovados em mais de 50% dos itens analisados. O segundo relatrio trata apenas do Galeo, no Rio de Janeiro, e  bastante didtico quanto  extenso do descalabro: no raro, traficantes armados perambulam por ali em reas restritas, informa o texto. 
     VEJA teve acesso ao documento de dezembro de 2012 que traz  luz o atoleiro de notas vermelhas na rea da segurana. Naquele ano, os aeroportos que pior se saram na avaliao da PF foram precisamente os que tero maior movimento na Copa: Congonhas foi reprovado em 85% dos itens; Galeo, em 75%; Confins, em 70%; e Guarulhos, em 69%. Em um dos testes, agentes disfarados conseguiram facilmente embarcar simulacros de artefatos explosivos em bagagens de voos internacionais. Entrar em reas proibidas com credenciais irregulares tampouco foi um problema. 
     O exerccio se repetiu no fim do ano passado, dessa vez em todos os aeroportos da Copa, e s serviu para enfatizar o que j havia sido constatado. "Nada mudou.  uma baguna generalizada", afirma um policial que integrou a equipe. Entre as constataes, descobriu-se uma zona de sombra que ameaa um ponto-chave da segurana: a fiscalizao dos passaportes. Faltam agentes para realizar a tarefa e, segundo o relato de mais de uma dezena de policiais ouvidos em quatro grandes aeroportos, o sistema de computadores da imigrao, por causa da manuteno precria, funciona com extrema lentido  quando funciona. "Operamos a maior parte do tempo off-line, recomendo apenas o formulrio de entrada. Do contrrio, as filas seriam interminveis", diz um delegado da PF. " o que chamamos de abrir a porteira." Sem o sistema, os agentes trabalham no escuro, ignorando se o turista que deixaram entrar , por exemplo, um terrorista procurado. 
     Com os jatinhos particulares  e milhares deles esto prestes a pousar em terreno brasileiro  a situao se agrava ainda mais. Nesses casos, os viajantes nem sequer costumam passar pelos guichs da imigrao. " o piloto quem informa o nmero de passageiros pelo rdio e encaminha  passaportes. Se quiser, ele poder omitir a presena de uma pessoa e ela entrar clandestinamente no pas, na maior tranquilidade", conta um experiente funcionrio da Agncia Nacional de Aviao Civil (Anac). 
     A fiscalizao precria no se limita ao espao areo  a peneira furada  a dura realidade tambm nos portos do pas. A Associao Brasileira de Cruzeiros Martimos (Abremar) estima que 23.000 turistas desembarcaro no Rio de Janeiro, em Santos e em Salvador por estes dias. No Porto do Rio, a conferncia da documentao dos cerca de 3000 passageiros de cada embarcao caber a dois ou, no mximo, trs agentes. "Entramos no navio e registramos a pilha de passaportes que nos entregam. No chegamos nem a ver as pessoas, quanto mais saber se todas foram contabilizadas", relata um agente. 
     Segundo aeroporto mais movimentado do pas, o Galeo mereceu um relatrio  parte por causa de uma caracterstica singular: ele est circundado de favelas tomadas por bandidos que agem no s nas suas imediaes, mas tambm no seu interior. O vaivm dos traficantes no se d nos sagues, mas em reas menos visveis, onde praticamente inexiste vigilncia. O relatrio mapeia oito pontos especialmente vulnerveis. Em alguns deles, os bandos se infiltram para surrupiar cabos, crime contumaz no local e uma das causas dos apages que a toda hora deixam o Galeo s escuras. 
     Numa via que leva  rea de apoio do aeroporto, a investigao flagrou uma solitria cancela desativada. "H acesso irrestrito a qualquer veculo, tornando-se um potencial alvo de atentados", conclui o texto. Para reforar o contingente durante a Copa com policiais de outras cidades, a PF est oferecendo o dobro do valor das dirias. Pode funcionar por ora, mas  soluo temporria. Dado o apito final no Maracan, a segurana nas portas de entrada do pas voltar a ser como antes: padro Brasil. 


6#3 RODRIGO CONSTANTINO  TSUNAMI DA VIOLNCIA
     O mundo ficou chocado quando um tsunami matou mais de 100.000 pessoas na Indonsia em 2004, mas o verdadeiro espanto  constatar que essa  a quantidade de gente que morre no Brasil vtima de homicdio e acidente de trnsito por ano. Mais gente do que na guerra civil da Sria! 
     Como agravante, o ndice de bitos vem recrudescendo nos ltimos anos. A prvia do Mapa da Violncia 2014, divulgada na semana passada, com base nos dados do Sistema de Informaes sobre Mortalidade (SIM) do Ministrio da Sade referentes a 2012, mostra que ocorreram quase 60.000 assassinatos no Brasil apenas naquele ano. Isso representa um aumento significativo em uma dcada. 
     Os dados constituem um enorme desafio aos defensores de que a pobreza  a causa primordial do crime. Para comeo de conversa, foi no Nordeste que se verificou o maior crescimento da taxa de homicdios, justo na regio que experimentou um dos maiores aumentos de riqueza, favorecida por agressivos programas assistencialistas do governo, que at celebrou o advento da "nova classe mdia".  
     Como a esquerda, que costuma associar a pobreza  criminalidade, pode explicar tal paradoxo? Sempre considerei a generalizao de que o crime  fruto da misria ofensiva aos mais pobres, visto que a maioria deles  formada por gente trabalhadora e honesta. Eis o primeiro grande impasse que surge para os socilogos: a taxa de homicdios cresceu junto com a renda, mostrando que h algo faltando em sua anlise. 
     Outro ponto que chama ateno  o desarmamento. Houve forte campanha do governo no comeo da dcada passada, e o Estatuto do Desarmamento foi posto em prtica, apesar de referendo contrrio, fazendo com que as vendas legais de armas desabassem. No obstante, o que se viu foi o aumento de assassinatos nesse perodo. Quer dizer ento que, conforme os liberais sempre disseram, desarmar o cidado ordeiro no reduz o crime? 
     H, finalmente, a complicada questo das mortes em acidentes de trnsito, que cresceram mesmo com a adoo da radical Lei Seca. A taxa de bitos por 100.000 habitantes se expandiu quase 20% apenas nos ltimos trs anos da pesquisa. Teria alguma relao com a pssima qualidade de nossas estradas e com a falta de policiamento? 
     O brasileiro  tido como um "povo cordial", mas as estatsticas mostram algo bem diferente. Somos um dos povos mais violentos do mundo. Em uma dcada, o pas perde em homicdios e acidentes de trnsito mais do que as bombas atmicas exterminaram em Hiroshima e Nagasaki. Viver no Brasil  muito perigoso, especialmente para os mais jovens. O que se passa? 
     Como economista, prefiro enxergar a coisa pela tica institucional, levando em conta o mecanismo de incentivos em jogo. Gary Becker, que faleceu recentemente, da Universidade de Chicago e laureado com o Prmio Nobel de Economia, diria que a impunidade  o maior convite ao crime, pois os criminosos tambm comparam custos com benefcios. A certeza da punio ainda  o maior obstculo ao crime. 
     Mas no Brasil preferimos ignorar as causas estruturais e focar os sintomas. Gostamos de quebrar o termmetro para curar a febre. Adoramos criar leis, como se bastassem decretos estatais para solucionar os males que nos assolam. 
     Investir em infraestrutura e fiscalizao d muito trabalho. O governo precisa gastar menos e poupar mais, delegar mais  iniciativa privada e perder oportunidades de corrupo, cortar programas eleitorais que rendem votos, incomodar grupos de interesse.  muito mais fcil deixar as estradas abandonadas, caindo aos pedaos, e simplesmente baixar uma lei proibindo qualquer consumo de lcool por motoristas, como se a culpa de tantos acidentes fosse do sujeito que toma uma taa de vinho e pega no volante. 
     Aparelhar e treinar a polcia e as Foras Armadas, fiscalizar bem as fronteiras, investir em novos presdios e pagar salrios decentes aos combatentes do crime demanda muito sacrifcio.  muito mais fcil desarmar aqueles que jamais cometeriam um crime, mas que poderiam eventualmente defender-se dos bandidos. De quebra, os "intelectuais" e artistas ainda podem demonizar a prpria polcia e pintar os criminosos como "vtimas da sociedade", enquanto assassinos com menos de 18 anos continuam inimputveis, protegidos pelo Estatuto da Criana e do Adolescente. 
     Enfim, precisamos levar as coisas mais a srio, olhar para onde escorregamos, no para onde camos. Vivemos um tsunami da violncia, que varre milhares de vidas inocentes a cada ano.  hora de atacar as razes do problema, suas causas estruturais, em vez de acreditar em milagres que brotariam de decretos estatais. 


6#4 VIDA DIGITAL  BALES COM WI-FI
Para levar a internet a todos os cantos do planeta, o Google planeja criar uma rede de antenas que flutuam pela estratosfera.
FILIPE VILICIC, DE MOUNTAIN VIEW

     A internet  uma rede mundial? Digamos que sim, mas isso  um evidente exagero. "Temos a palavra world (mundo, em ingls) em www (sigla para world wide web) justamente pelo conceito de que essa  a primeira plataforma aberta para comunicao entre quaisquer seres humanos" disse a VEJA o fsico ingls Tim Berners-Lee, que em 1989 desenvolveu o protocolo www, base da rede, na Organizao Europeia para Pesquisa Nuclear. Mas, de fato, a web no est perto de ligar a todos. H 2,5 bilhes de pessoas com acesso.  impressionante, ainda mais em comparao aos 745 milhes que estavam on-line h dez anos. S que os off-line continuam a superar os on-line. Dois em cada trs indivduos permanecem sem acesso. O problema: para funcionar, a rede depende de uma estrutura carssima, composta de antenas e satlites. " preciso descobrir uma alternativa simples, e barata, para essa complexidade, ou no teremos o www verdadeiramente espalhado pelo mundo", acredita o engenheiro Rich DeVaul, diretor do time que cria projetos do Google X, laboratrio de inovaes do Google. "A soluo no vir do que j existe, mas, sim, de campos inexplorados da cincia, de onde tiramos inovaes mais de ponta, e mais criativas", conclui.  da equipe de DeVaul que vem a resposta com maior chance de resolver o desafio. Seu Projeto Loon  um ambicioso plano de levar a internet aos desconectados por meio de milhares de bales com wi-fi, movidos a energia solar e que sobrevoam a Terra a 20 quilmetros de altitude. Se der certo, proporcionar os benefcios da rede a moradores de regies ermas, ou mesmo a barcos no meio do oceano  e, no processo, multiplicar os lucros do Google, que ampliar a audincia dos anncios em seu site de buscas e os usurios de seus produtos on-line. 
     O Loon comeou em 2011, com o nome de Icarus, em referncia ao personagem da mitologia grega cujas asas de cera se derreteram quando voou prximo ao Sol. O projeto foi desenvolvido, em sigilo, no Google X, laboratrio em Mountain View, o corao do Vale do Silcio, situado no nico prdio da companhia inacessvel a todos os googlers,  apelido dado aos funcionrios da companhia. S quem  do X entra no X.  nesse departamento que o gigante da tecnologia cria seus produtos mais ousados. De l saram os culos digitalizados Google Glass, as lentes de contato que medem o nvel de glicose no sangue (til para quem tem diabetes) e os famosos carros autnomos (veja na pg. 100). O primeiro teste do balo foi realizado em agosto de 2011, na Califrnia. DeVaul comprou bales na internet, acoplou a eles antenas de wi-fi e os lanou. A equipe acessou, de computadores no solo, a internet vinda do cu. A experincia continuou em segredo. Em outubro de 2012, um jornal do Estado de Kentucky noticiou: "Objeto misterioso no cu". Tratava-se de mais um loon. A iniciativa s foi levada a pblico em junho do ano passado, quando o Google lanou trinta bales na Nova Zelndia e forneceu acesso a cinquenta famlias. Na prxima sexta-feira, dia 6, ser realizado o segundo teste aberto, no Brasil. 
     A experincia  em Campo Maior, cidade com 45.000 habitantes no Piau, onde j comearam os preparativos para o teste oficial. Engenheiros colocaro no ar dezenas de bales para fornecer conexo a uma escola pblica sem acesso. Mas a ddiva da internet ser passageira. Assim que os bales atingirem a altitude de 20 quilmetros, sero levados por correntes de vento a outros pases. "Nessa experincia no Brasil queremos testar um outro tipo de sinal de internet, o LTE", contou o engenheiro aeronutico Mike Cassidy, diretor do projeto, em entrevista realizada em seu escritrio no Google X. At agora, o loon operava com wi-fi e dependia de uma antena no solo para receber a conexo. Quando soube desse fator limitante, Larry Page, co-fundador e CEO da companhia, disse  equipe: "Precisamos de algo que funcione em todo lugar". O LTE  um sinal de rdio, de maior qualidade que o wi-fi e usado por companhias telefnicas para transmitir 3G. "Por ele, podemos habilitar qualquer computador para se conectar", explica Cassidy. Para isso, o Google tem de firmar contratos com telefnicas para operar na frequncia dominada por elas. 
     Esse foi um dos motivos de realizar a experincia em Campo Maior. O Google conseguiu uma parceria com a Vivo para a operao. H ainda outras duas razes. Primeiro, o foco do projeto est em pases com conexo precria. O Brasil, com apenas 47% do territrio com internet de alta velocidade e 49% de habitantes on-line, se encaixa. A segunda: estreitar relaes com o governo. Assim como outras multinacionais do setor, a exemplo do Facebook, o Google vem de conflitos recentes com rgos federais. O governo tentava aumentar impostos incidentes sobre essas empresas e obrig-las a instalar data centers no pas. Depois de duras crticas, saiu derrotado. Aprovar o teste do loon no cu brasileiro foi uma forma de recuperar a imagem do governo com o Google  e de fortalecer a companhia em futuras negociaes com autarquias federais. 
     Enviar bales com internet para o espao  um desafio tecnolgico indito. Contou Rich DeVaul: "Achvamos que a dificuldade estaria em fornecer a internet. Isso foi fcil. O difcil foi navegar pela estratosfera". Para no coincidirem com a rota de avies e no serem submetidos a intempries, os bales so posicionados na estratosfera. Correntes de vento com velocidade de 200 quilmetros por hora no permitem que objetos estacionem nessa regio, o que dificultou o posicionamento dos bales. Diz DeVaul: "Ideias iniciais envolviam o uso de cabos ou propulsores para manter os dispositivos estveis. O momento de eureca foi quando vimos que o melhor era aproveitar o vento a nosso favor". Os engenheiros monitoram a velocidade e a direo do ar para colocar o  loon em ventos favorveis. Os bales circulam a Terra, ora fornecendo conexo na Amrica do Sul, ora na frica.
     Abrir as portas do mundo on-line para as pessoas traz inegveis benefcios. Segundo um estudo do Banco Mundial, o efeito positivo que a internet tem na educao, no empreendedorismo e em fomentar o ambiente democrtico faz com que um aumento de 10% no nmero de pessoas on-line impulsione um crescimento de 1,3% no PIB de um pas. Mas, alm do bom-mocismo, espalhar a rede  bom para os cofres do Google. "Mais dinheiro vir se tivermos outros 5 bilhes de pessoas on-line, usando nossos produtos", afirma o cientista da computao Astro Teller, o mandachuva do Google X (confira ao lado).  pelo potencial enorme de lucro que outras empresas tambm tentam, com menor sucesso, fazer vingar iniciativas do tipo. O Facebook criou a internet.org, parceria com empresas como Nokia e Samsung para tentar colocar na rede os dois teros da populao que no esto nela. "H mais celulares comuns pelo mundo do que smartphones, e podemos, por exemplo, levar a internet a esses aparelhos", disse a espanhola Laura Gonzlez, diretora do Facebook. No por acaso, comearam com projetos para inserir o aplicativo do Facebook nesses celulares. "No me importa quem vai conseguir realizar o desafio", afirmou Teller. "O que queremos  ver todos on-line, beneficiando-se das maravilhas, e dos negcios, da web." 

CONEXO VINDA DO CU
Como o Google pretende usar bales, os "loons", para levar a internet aos dois teros da humanidade que ainda no tm acesso a ela.

O loon  dimetro 15 metros
A estrutura ultrarresistente de polietileno, desenvolvida para o loon, suporta temperaturas de at 50 graus negativos e a exposio a raios solares.
Um painel solar de 1,5 metro de comprimento capta energia para o funcionamento dos aparelhos do balo e carrega baterias para garantir a operao durante a noite.
A caixa de 30 por 60 centmetros compila os equipamentos acoplados
- Antenas de comunicao, via sinais de wi-fi ou de rdio
- Computador de bordo que regula o sistema de ar e hlio que faz o balo subir ou descer de acordo com as correntes de vento da estratosfera
- 75 sensores transmitem informaes de localizao e clima
- Transponder, equipamento de aviao que se comunica com avies e torres de controle areo.

A conexo com a internet
Antenas no solo, com apenas 30 centmetros de dimetro, se comunicam com os aparelhos do balo (depois, sero substitudas pelas antenas de celulares, tablets e computadores).
A antena 30 cm.
Cada loon fornece internet a uma rea de 1300 quilmetros quadrados.
Os bales se comunicam entre si para multiplicar a cobertura  um nmero suficiente de loons pode criar uma rede que cobre todo o planeta.

Como voa
A estratosfera tem correntes de vento dispostas em camadas, que costumam soprar de forma mais ordenada e uniforme que em altitudes baixas, onde ocorrem fenmenos climticos como nevascas e tempestades.
Engenheiros controlam os bales da sede do Google, inflando-os ou desinflando-os com um sistema de ar e hlio acoplado aos loons, para assim posicion-los nas correntes de ar. Eles voam na direo do vento.
E percorrem diferentes latitudes. Um balo que passa na Amrica do Sul depois vai flutuar sobre a frica.

O CAPITO DO TIME
O cientista da computao Astro Teller chefia a equipe do Google X, laboratrio encarregado de produzir inovaes que possam estabelecer novos mercados para a companhia ou revolucionar os j existentes. Seu time, j apelidado de X-Men (referncia ao grupo de super-heris dos quadrinhos), criou novidades como os culos digitalizados Google Glass, que colocam uma tela de smartphone  frente dos olhos, e os bales com wi-fi do Loon. Teller tem um cargo inusitado: capito de moonshots. Na entrevista a seguir, concedida na sede do laboratrio no vale do Silcio, ele explica o que  ser um capito de moonshots. 

O que  ser um "capito de moonshots"? 
Treino um grupo cuja meta no  alcanar melhorias tpicas de 10% em um produto. Queremos multiplicar por dez a eficincia, a produtividade, os benefcios de tudo o que  atrelado  inovao em questo. S que, como trabalhamos com algo completamente novo, h a tendncia de surgirem ideias que podem ser apenas loucas, sem efeito real. Usamos o termo moonshot para separar aquilo em que vale a pena investir. O moonshot tem de atender a trs critrios. Primeiro, a inovao deve solucionar um problema real da sociedade. Segundo, precisa ser baseada em uma tecnologia que soe a fico cientfica, em algo que beire o impossvel. Terceiro, a equipe tem de provar que  possvel realizar o feito. 

Como esse conceito se aplica ao que surgiu do X? 
Darei dois exemplos. O problema a ser resolvido pelos bales do Loon  que hoje dois teros da populao mundial no podem acessar a internet. A soluo, mandar aparelhos com wi-fi para a estratosfera, foi indita, e possvel de fazer. s vezes o moonshot no  to bvio. Criamos os culos digitais Glass para responder  necessidade de conciliar a vida off-line com a on-line. Hoje,  preciso desprezar o mundo real para se conectar. O Glass permite que a pessoa explore seus arredores e, ao mesmo tempo, possa recorrer  tecnologia quando necessrio. 

O que fazer quando um profissional da equipe investe tempo, e muito dinheiro, em uma pesquisa que se revela no ser um moonshot? 
Damos um abrao, parabenizamos pelo erro encontrado e incentivamos a comear outra tarefa. Tentamos implementar uma cultura oposta  de um tradicional ambiente corporativo. Em empresas, as pessoas costumam ter tanto medo de falhas e, por falharem, de ser demitidas que acabam por insistir nos erros por anos. Elas tm receio de admitir aos chefes que, em teoria, no evoluram. Ns, por outro lado, vemos os erros como o aprendizado necessrio para quem ter sucesso. No X aplicamos a lgica da cincia, no a empresarial. Os melhores cientistas no se preocupam com resultados, mas com a experincia em si, com os dados que criam e a validao ou no de hipteses. Se uma tese est errada, o certo  aprender com isso e partir para a prxima. 

O que j tentaram criar que deu errado? 
Fizemos jetpacks, mochilas com foguetes. Conseguimos construir um com hlices especiais que, mesmo se tivessem defeito, no matariam o usurio, j que fariam o equipamento cair com leveza. S que no fim vimos que no valia a pena continuar. Por qu? Os jetpacks eram barulhentos, gastavam 100 vezes mais combustvel que um carro e, por esses motivos, seriam uma inovao intil. No demitimos ningum nem demos bronca. Passamos para a prxima. A maioria de nossos projetos morre. Mas a minoria que d certo tem um impacto tremendo. 

As inovaes cientficas costumam surgir no ambiente acadmico ou em pesquisas governamentais, como as da Nasa, a agncia espacial americana. O X quer competir com esses centros de inovao? 
O que fazemos no  cincia bsica, que  o que se v em lugares como a Nasa. Identificamos tecnologias de ponta criadas nesses lugares e trabalhamos para us-las na criao de produtos. O que mudou  que antes se  passavam dcadas para que uma descoberta cientfica tivesse efeito na sociedade. Vamos agilizar o processo. Por que levar cinquenta anos para ter um veculo autnomo se podemos fazer em quinze? Nisso, o X  uma iniciativa indita. Sim, havia inovao em empresas como a Bell Labs, onde surgiu o transistor. Mas eram sempre pesquisas para resolver problemas existentes na empresa. No Google j h muita gente pensando em resolver desafios da companhia. No X focamos em criar novos problemas, novas solues, e assim revolucionar mercados. 

O marketing feito para os produtos do X  que eles vo melhorar o mundo. Alm dos benefcios que possam trazer, eles no visam a aumentar os lucros do Google? 
Sim,  claro. Desenhamos planos de negcios para cada um dos projetos. Pensamos no dinheiro, s que no somos movidos por ele. O que est no DNA do Google  que a grana s vir se criarmos coisas que realmente so necessrias, que as pessoas querem usar. Se fizermos isso, o dinheiro vir em efeito contnuo. Foi assim com o site de buscas, que no incio no dava lucro. E  com produtos como o Mapas, de geolocalizao, no qual investimos apesar de ainda no proporcionar lucro. 

H um movimento contrrio de estudiosos que dizem que essas inovaes, como o site do Google, em vez de ajudar, tm prejudicado, afetando, por exemplo, nossa capacidade de raciocinar. Eles at apelidaram usurios do Glass de glassholes (trocadilho com um xingamento em ingls). 
As mudanas, principalmente tecnolgicas, causam receio. Acredito que a tecnologia no  tudo que h e que ainda no chegamos ao equilbrio perfeito entre o mundo off-line e o on-line. Mas a soluo para a harmonia no vir de queixas. Surgir da prpria tecnologia, por meio de aparelhos inteligentes que nos ajudaro em tarefas cotidianas, sem interferir em nossa vida. Vo trabalhar por ns, sem que notemos. 


6#5 VIDA DIGITAL  A CARTA, POR FAVOR?
O computador de bordo vai ter de fazer exame de motorista? O carro sem volante do Google prope inmeras questes ticas.
FILIPE VILICIC, DE MOUNTAIN VIEW

     Desde que foi apresentado, em 2010, o carro autnomo do Google  celebrado como a soluo mgica para resolver todos os problemas do trnsito. Disse o engenheiro Chris Urmson, diretor do Google X, laboratrio de inovaes que tambm deu origem aos bales com conexo de internet (veja a reportagem na pg. 94), e um dos lderes do projeto: "Congestionamento? Uma rua s com esses carros nunca sofrer de lentido, j que eles andam de forma uniforme. Acidentes? Deixaro de existir, visto que o computador respeita todas as regras de trnsito".  natural que um grande inovador acredite que sua inveno dar um fim definitivo a algum problema. Essa certeza faz parte do processo criativo. Mas ela muitas vezes se mostra equivocada, especialmente quando o excesso de confiana  colocado em um processo de automao capaz de fazer respeitar todas as regras. Um nico exemplo basta para ilustrar essa afirmao: os sistemas de piloto automtico dos avies, que aumentaram enormemente a segurana de voo mas no acabaram com os acidentes areos para sempre. 
     A popularizao do carro autnomo do Google vai tornar as ruas e estradas muito mais seguras, mas  temerrio prever que "os acidentes deixaro de existir". Simplesmente porque respeitar todas as regras no pe fim aos imprevistos. Como disse o filsofo Jean-Paul Sartre, "o inferno so os outros". Mesmo o sistema automtico mais respeitador das regras no pode impedir a imprudncia de um pedestre, a irresponsabilidade de um bbado, a inocncia de uma criana ou a inconscincia de um animal que cruze a pista. 
     VEJA testou o carro autnomo. O veculo circulou bem pelas ruas de Mountain View, sede do Google, e Palo Alto, cidades do Vale do Silcio. Para guiar o automvel, o computador de bordo usa uma combinao de sensores com laser, GPS e mapeamento 3D para retratar, em tempo real, os arredores. Um algoritmo guia o software que conduz o carro. As decises sobre para qual lado virar ou se  preciso brecar so tomadas com base em um banco de dados que compila reaes esperadas para situaes diversas de trnsito. Em resumo, o carro autnomo do Google preenche todos os requisitos de uma tecnologia to convincente que, como definiu o astrnomo Carl Sagan, morto em 1996, "no se distingue da mgica". 
     A questo que fica, porm, no  apenas se ele funciona. Mas se funciona em todas as situaes e, em caso de falha, quem deve ser responsabilizado. Caso o carro autnomo se envolva em um acidente fatal,  o programador do computador de bordo que vai comparecer ao tribunal? A esplndida inveno do Google suscita uma srie de questes legais novas. Elas no diminuem em nada os mritos do novo carro. Suscita tambm indagaes ticas de enorme complexidade e difcil soluo. Um motorista humano colocado em uma situao de emergncia em que cabe a ele decidir se arrisca a prpria vida para salvar a de outros vai reagir de acordo com sua filosofia de vida. Exemplo hipottico: um carro  fechado por um motorista bbado, e para evitar o acidente o motorista tem como nica manobra possvel jogar o carro contra pedestres em uma calada. Um motorista consciente aguentaria o tranco, danificaria seu carro e se exporia ao risco pessoal de modo a no ameaar a vida dos pedestres. O que faria um carro autnomo na mesma situao? 
     Claramente, no h algoritmo que resolva a questo. Por enquanto, a soluo visualizada pelo Google se assemelha  da aviao: o condutor tem a ltima palavra cm situaes de perigo. O piloto de jato pode desligar o piloto automtico e readquirir o comando manual do aparelho. O carro do Google sem volante poderia, em modo "manual", ser comandado pela voz. Chris Urmson est confiante em que dentro de uns cinco anos os primeiros modelos do carro autnomo estaro sendo vendidos ao pblico. No h por que desacreditar dele. 
COM REPORTAGEM DE JENNIFER ANN THOMAS


6#6 PERFIL  A MESMA F E O MESMO ESTILO
O cardeal Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, aproximou-se do papa Francisco por acaso, mas a identificao entre ambos foi total.
ADRIANA DIAS LOPES

     No prximo dia 8 de junho, o papa Francisco visitar o Pontifcio Colgio Pio Brasileiro, residncia dos padres do Brasil que estudam em Roma. O pontfice chegar s 5 e meia da 3 tarde, celebrar uma missa e jantar com os sacerdotes. A visita ainda  desconhecida pela maioria da cpula da Igreja. H uma explicao para isso. O compromisso foi planejado ao p do ouvido, sem protocolos. Por trs do feito est o cardeal Raymundo Damasceno, de 77 anos, presidente da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), arcebispo de Aparecida, nascido na pequena Capela Nova, em Minas Gerais. O clrigo fez o convite a Francisco em fevereiro, na ocasio da cerimnia de nomeao de novos cardeais. Dom Damasceno estava na Casa Santa Marta, na qual se hospedam os bispos e cardeais de passagem pelo Vaticano  onde Francisco decidiu morar. Era hora do almoo, o papa estava  mesa em um espao reservado no refeitrio. Ao chegar para comer, dom Damasceno no teve dvida e foi direto at o pontfice. 
      Raymundo! 
     Os dois se abraaram. 
      Papa Francisco, o senhor teria um minutinho para mim depois? 
      Claro! Daremos um jeito nisso. 
     Na manh seguinte, dom Damasceno estava frente a frente com Francisco, na antessala dos aposentos do papa. O minutinho se transformou em vinte minutos. O cardeal saiu do encontro privado com o convite aceito. Simples assim. Pelos protocolos da Santa S, um pedido de encontro particular com o pontfice costuma ser feito por escrito, com pelo menos uma semana de antecedncia. 
     Diz o bispo auxiliar de Braslia, Leonardo Steiner, secretrio-geral da CNBB: "O papa e o cardeal se identificam por diversas qualidades em comum, mas, sobretudo, pelo modo de agir simples e arguto". A perspiccia de dom Damasceno ficou explcita na missa conduzida por Francisco em homenagem  canonizao do padre Anchieta, em abril passado. Depois da cerimnia, polticos brasileiros aguardavam o fim da celebrao para o beija-mo do pontfice. Avesso a esse tipo de assdio, na sada, Francisco seguiu em direo oposta ao grupo. Dom Damasceno, ento, pediu ao papa, discretamente, que cumprimentasse ao menos o vice-presidente Michel Temer, ali representando o governo brasileiro. Francisco consentiu e o cardeal acenou para Temer se aproximar. Seguiu-se um ligeiro aperto de mo. 
     A aproximao entre o cardeal mineiro e o papa deu-se j no segundo dia do pontificado de Francisco, em um encontro casual. O pontfice entrou de surpresa no nibus que levaria os cardeais para a sua primeira missa como chefe da Igreja e sentou-se em uma das poucas poltronas vagas, justamente ao lado de dom Damasceno. Ali foi acertada a visita de Francisco a Aparecida, durante sua vinda ao Brasil, em julho de 2013. Dom Damasceno e Francisco se conhecem h vinte anos. Nesse perodo, os dois se encontravam em cerimnias e  assembleias da Igreja, mas pouco se falavam. Quando Jorge Bergoglio assumiu o Trono de Pedro, ele se revelou um papa modesto, avesso ao cerimonial e s pompas. O presidente da CNBB identificou-se imediatamente com o estilo de Francisco e a aproximao entre eles foi natural. Dom Damasceno  um pastor de hbitos simples, que gosta de passear com sua cadela Lunik e nunca tem pressa para atender os romeiros que assistem s celebraes de domingo na Baslica de Aparecida. "Ele passa mais tempo conversando com os peregrinos do que mesmo na missa", conta Jaqueline Pereira, secretria particular do arcebispo. Para muitos, ele ainda  apenas o "padre Raymundo". Diz o cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro: "Ele  um grande exemplo de pastor". 
     A vocao religiosa de dom Damasceno se imps quando ele ainda era criana. Um religioso da ordem marista visitou a nica escola de Capela Nova com o intuito de recrutar jovens para a Igreja, um costume nos anos 40, no interior do Brasil. O marista conversou com dezenas de crianas e jovens da cidade. Raymundo foi o nico a aceitar o convite. No mesmo dia, foi para a casa que dividia com nove irmos, ps suas roupas em um saco de pano e pediu aos pais que o levassem ao juvenato. Raymundo tinha 10 anos. De l, seguiu para o sacerdcio. Lembra dom Damasceno: "Nunca pensei em ser outra coisa na vida".  


